quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tornarás

Não, não chorarei diante de tal tragédia
Sorrir-lhe ei com um olhar audacioso e triunfante
Alma pura que dos céus fora limpa
Dê teus pulos e mostre a alegria
Pés descalços do pisar em falso
Boca suja do falar errante
Mãos calejadas de tato sofrido
Olhos cerrados por ver mui distante
Nariz aguçado do procurar soturno
Vós todos tornareis ao pó
Deixais a alma viver em paz
E comigo, a sós!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sobre filosofar

Aos poucos, uma mente crítica e criativa desenvolve teorias tão complexas na vida que uma triologia de livros de quatrocentas páginas não seriam, talvez, o suficiente para imortalizar tais pensamentos.
A graça disso é que, em pelo menos noventa por cento dos casos, essas coisas se perdem na mesma espontaneidade que surgem. Uma linha ou um parágrafo se tornam então suficientes.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sobre escrever

Quando se escreve, o segredo é se deixar levar pelos próprios dedos, não pensar demais, não ser perfeito. A plenitude da escrita não está em ser impecável, mas abrir possibilidades para um leitor julgar sua obra, permitindo o debate sobre o que ele faria melhor que você. Nada inere o poder de agradar a todos, mas a todos inerem o poder de se agradar.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Conceitos

Definir conceitos não é algo fácil. Conceituar consiste na aquisição de conhecimentos sobre um todo para transformá-lo em um só algo. Conceituar é se abster das imposições enraizadas em sua mente para alcançar o novo e guardá-lo na mesma. Conceituar é esquecer que um professor te disse algo um dia e você acertou tal questão na prova, é perguntar porque aquilo está certo e tirar suas próprias conclusões.
A sensação que sinto ao ver o azul é diferente da sensação sentida ao ver o vermelho, mas todas possuem origem no branco e no preto. A sensação que sinto ao ver o amarelo é diferente da sensação que você sente ao ver a mesma cor e tonalidade, e a conceituação por cada um será diferente.
Exemplo mais real é a conceituação da dor. O que dói e como dói quando você perde um amigo querido? Creio que sua conceituação será diferente da minha pois podemos não ter o mesmo amigo e, mesmo que seja o mesmo, nós mesmo somos diferentes entre nós.
Por fim, eu conceituar tudo isso é algo engraçado, pois me eu mesmo me contradisse.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O viajante

E quando o sol se põe atrás dos montes, para iluminar a terra estrangeira que foge à minha vista, a escuridão é certa em dias de lua nova. Lua essa que tem seu brilho ofuscado por um ciclo, e desespero trás aos viajantes de terras virgens da pisada humana.
Esse viajante não pode ser eu, literalmente, pois na Grande São Paulo são poucas as terras assim existentes, a lua vira lenda num céu poluído, estrelas de outrora são agora os postes de luz nas ruas perigosas. Mas sou sim esse viajante quando o sentido é outro: ao viajar pela imensidão dos pensamentos que me confundem, eu me embrenho em matas fechadas, em bifurcações determinantes e o caminho para se chegar até a luz é tortuoso. Espero o dia, que parece criança à escuridão da noite velha. Se fico parado, sou tragado por aquele ladrão que está à espreita. Se sigo em frente me perco num cerco sem clareira. Então eu corro para despistar aquele que me persegue e fecho os olhos da carne para ampliar os meus sentidos, outros.
E quando chega o sol? Ah, o Sol! É aí que eu acordo, é aí que eu vejo que valeu a pena esperar passar a noite. A tormenta que se fez presente é diluída a cada músculo acionado para meu sorriso sincero. Sou novamente o fruto da minha nova essência. Deixo de ser aquele viajante para herdar o meu lugarzinho no meio do agreste, no meio da simplicidade. Ali a noite vem, mas vem em sonho... E vem com lua cheia.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A graça

A graça de Deus é Deus
A graça da Graça é Graça
A graça do menino é José
A graça de José é o sorriso
A graça do sorriso é o dente
A graça do dente é o dentista
A graça do dentista é Pedro
A graça de Pedro é a igreja
A graça da igreja é Deus
A graça de Deus é eterna

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Parte do último capítulo do meu futuro livro

O SOLDADO PERFEITO

É uma corrente obscura e gélida de ar poluído que entra neste momento pelos meus pulmões como um ácido irreversível, mas não me importo... Sei que se seguir por trás daquela porta posso encontrar a minha épica luz ao fim do túnel. Tudo que posso fazer é seguir enquanto choro, enquanto grito, tudo o que posso fazer é me armar não de metal, não de punhos, mas sim de esperança.